Imagine uma sala retangular. Numa das paredes há uma tela de TV enorme que não transmite nenhuma imagem exatamente, apenas o que parece ser um vago e ocasional movimento. Na parede oposta, há apenas um buraco do diâmetro do olho que pode estar emoldurado de diversas formas de modo a chamar a atenção do espectador que entre na sala e o convite a exercitar sua curiosidade.
Ao olhar pelo buraco, o espectador lera a seguinte frase, dividida em três versos: de que te serve/ o olho em tua busca/ se não te vês? Sem que ele se dê conta, seu olho é filmado por uma micro-câmera e transmitido para a tela às suas costas.
Obviamente ele não se vê observado pleo seu o próprio olho. Um segundo espectador que esteja na sala, verá o olho e até entenderá que se trata do olho do outro espectador, mas o sentido da obra só será inteiramente percebido depois que ele mesmo ler o texto dentro do buraco. Ou seja, são necessários ao menos dois espectadores para se entenda o sentido do olhar.